Flávio Bolsonaro viaja aos EUA após STF determinar entrega de passaportes
Saída do país em meio a inquérito por lavagem de dinheiro e com vistos americanos aprovados amplia incerteza jurídica e diplomática para o Brasil.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos depois que o Supremo Tribunal Federal ordenou na segunda-feira que ele entregasse seus passaportes e o proibiu de deixar o país, medida cuja exigência levou autoridades brasileiras a cancelar os documentos quando ele não cumpriu.
A restrição de viagem foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito de um inquérito ativo por lavagem de dinheiro que, segundo investigadores, inclui ligações ao advogado Willer Tomaz e supostas transações relacionadas a plataformas de apostas on-line e a reportagens anteriores sobre o Banco Master.
O Departamento de Estado dos EUA disse que emitiria vistos para Bolsonaro e sua família, e a imprensa americana informou que ele pousou em Miami e foi recebido pelo irmão Eduardo, enquanto registros de migração do Brasil não indicam saída regular clara por pontos oficiais de controle.
Bolsonaro se recusou a reconhecer o resultado do segundo turno e afirmou que pretende contestá‑lo, embora seu partido, o Liberal (PL), tenha reconhecido a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva; ele também responde a outros inquéritos, inclusive sobre o financiamento de uma cinebiografia de seu pai.
Com o mandato no Senado se encerrando no início de 2027 e a imunidade parlamentar prestes a expirar, procuradores e tribunais brasileiros poderão prosseguir com ação penal, e o caso passa a envolver possibilidade de extradição, atritos diplomáticos e maior polarização política no país.