Fachin assume investigação após PGR abrir apuração sobre relatório da PF
Presidente do STF centralizou análise de documento da Polícia Federal e deve levar o conflito entre ministros ao plenário
A crise começou depois que o ministro André Mendonça, em 1º de setembro, divulgou um relatório da Polícia Federal que apontava 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes e pediu ao plenário que discutisse o material.
O Procurador‑Geral da República Paulo Gonet, na sexta‑feira, abriu uma investigação para apurar se houve interferência externa indevida no relatório da PF e solicitou à polícia explicações sobre como o documento foi elaborado.
O presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news, abriu procedimento separado sob sua relatoria e determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos por escrito em cinco dias.
Reportagens e o próprio documento da PF descrevem o arquivo contestado como um paper de trabalho no estilo de inteligência, sem assinatura, que lista hipóteses com níveis variados de confiança e está rotulado como “sem valor probatório”.
Fachin disse que vai analisar as respostas e é provável que leve a questão ao colegiado do tribunal para decisão coletiva — um passo que pode afetar o futuro do inquérito das fake news e ampliar as implicações políticas sobre a supervisão judicial e indicações para cargos.