Estudo de Stanford diz que taxação a bilionários da Califórnia pode render só US$28–36 bi e gerar perda líquida de US$38,9 bi
Pesquisadores apontam que mudanças de residência antes da data‑corte e manobras com ações podem reduzir a base; oposição ao plebiscito já gastou mais de US$300 milhões.
A Proposição 40 prevê um imposto único de 5% sobre pessoas com patrimônio líquido superior a US$1 bilhão que eram residentes da Califórnia em 1º de janeiro de 2026, com a maior parte da arrecadação destinada a saúde.
Um working paper do NBER assinado por economistas de Stanford estima que a cobrança arrecadaria entre US$28 bilhões e US$36 bilhões, e alerta que a perda de receitas futuras do imposto de renda poderia resultar em uma perda líquida em valor presente de cerca de US$38,9 bilhões.
Os autores dizem que a saída pública de vários bilionários já teria eliminado quase 30% da base tributária prevista, citando mudanças de domicílio e registros corporativos, como incorporações em Delaware e compras de imóveis em Miami por Larry Page.
Também houve respostas corporativas e divulgações: a Meta descreveu, em arquivamento na SEC, a ameaça de mudança de residência por Mark Zuckerberg e organizou emissões de ações sem direito a voto para preservar sua liquidez e controle de voto caso o imposto venha a ser cobrado.
A campanha em torno da proposta já enfrenta mais de US$300 milhões em gastos de oposição, duas medidas concorrentes na cédula que podem bloquear a Proposição 40 e provável litígio sobre residência, avaliação e retroatividade — disputas que vão determinar se o imposto chega a vigorar e quanto, de fato, será arrecadado.
O estudo também coloca em dúvida a estimativa frequentemente citada de US$100 bilhões de arrecadação, apontando que, com evasões e perdas futuras, os números líquidos podem ficar bem abaixo disso.