Dívida dos EUA passa de US$ 40 trilhões; alta dos juros americanos pressiona custo do crédito no Brasil
Leilões de recompra do Tesouro dos EUA tiveram efeito temporário; investidores cobram medidas fiscais concretas do governo brasileiro diante da alta da Selic e do risco de rolagem
A dívida pública dos Estados Unidos superou US$ 40 trilhões na quarta‑feira, 19 de agosto, e o Tesouro americano anunciou que dobraria suas operações de recompra de títulos de longo prazo para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, numa tentativa de conter a alta dos juros de Treasuries de 10 e 30 anos.
Os rendimentos de prazo mais longo caíram de forma breve após o anúncio, mas retomaram a trajetória de alta e chegaram a máximas de vários anos, elevando o custo de captação para governos e empresas ao redor do mundo.
No Brasil, a taxa implícita de 12 meses sobre a dívida bruta chegou a 13,2%, segundo medidas do Banco Central, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as taxas de longo prazo pagas pelo Tesouro estão “muito altas” e “inaceitáveis”.
Durigan reafirmou a manutenção do arcabouço fiscal de 2023 e prometeu um ajuste fiscal gradual de cerca de dois pontos percentuais do PIB, mas bancos e investidores avaliaram que seus recentes encontros não trouxeram cortes de despesa específicos, o que levou à venda de alguns ativos brasileiros.
Analistas destacam que a combinação da alta dos juros nos EUA, do perfil de dívida brasileira concentrado em curto prazo e atrelado a juros, e da Selic elevada amplia o risco de rolagem. Isso pressiona o custo do crédito para famílias e empresas e aumenta a necessidade de medidas fiscais ou de receitas claras para estabilizar a trajetória da dívida.