Ordem do ministro Cristiano Zanin amplia votação até as 19h e deixa seções fechadas, atrasando apuração
Decisão monocrática tomada tarde domingo buscou garantir acesso às urnas, mas provocou confusão operacional, agravou atrito entre STF e TSE e pode gerar disputas judiciais rápidas
A coligação do PT primeiro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação da votação por problemas de transporte e recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) quando o TSE não tomou providência, levando o ministro Cristiano Zanin a determinar, em decisão monocrática na noite de domingo, que as seções eleitorais permanecessem abertas até as 19:00.
Zanin publicou em seguida uma nota restringindo a prorrogação às seções que ainda estivessem em funcionamento no momento da sua decisão, medida tomada depois de muitos tribunais regionais e seções de votação já terem encerrado o expediente.
Autoridades eleitorais relataram imediata confusão operacional, já que a maioria das urnas eletrônicas que havia sido desligada não pode ser religada, o que obrigou algumas localidades a lançar mão de registros em papel e atrasou a divulgação de resultados parciais pelo TSE.
As reações políticas se dividiram: aliados de Flávio Bolsonaro classificaram a ordem como interferência e ameaçaram medidas judiciais e parlamentares, enquanto apoiadores do presidente Lula responsabilizaram o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, por resposta tardia.
Analistas jurídicos e veículos internacionais advertiram que o episódio aumenta a probabilidade de litígios rápidos sobre validade e procedimento, lembrando que o código eleitoral brasileiro pode anular votos dados fora do horário designado e que qualquer recurso bem-sucedido exigirá prova de prejuízo concreto aos eleitores.