BRICS aprova Declaração de Nova Délhi e apresenta agenda prática para o Sul Global
Cúpula foca em projetos operacionais — de saúde a cadeias de abastecimento, IA aberta e agricultura digital — mais do que em retórica diplomática.
Líderes do BRICS aprovaram formalmente a Declaração de Nova Délhi na sessão de encerramento da 18ª Cúpula, um texto por consenso que define as prioridades do bloco para o próximo ano.
Exercendo a presidência de 2026, a Índia lançou ou endossou projetos operacionais, entre eles: um sistema integrado de alerta precoce para doenças infecciosas, diretrizes para dados de desastres, um quadro para cadeias logísticas, uma Rede de Incubadoras do BRICS e uma rede de agricultura digital.
O primeiro‑ministro Narendra Modi alertou que a instrumentalização da tecnologia e de minerais críticos pode pôr em risco o progresso comum, e defendeu acesso inclusivo e cadeias de fornecimento minerais mais resilientes e diversificadas.
O presidente chinês Xi Jinping propôs um ecossistema de IA de código‑aberto do BRICS para apoiar o desenvolvimento e o treinamento de modelos compartilhados. O presidente sul‑africano Cyril Ramaphosa pediu um mecanismo independente de avaliação científica para IA, com princípios de controle humano e obrigatoriedade de registro de incidentes.
No texto, a declaração adota linguagem cautelosa sobre os conflitos Rússia‑Ucrânia e no Oriente Médio, refletindo divisões persistentes entre os membros. A presidência rotativa do BRICS será entregue à China em 2027, com a expectativa de que Pequim dê continuidade à nova agenda operacional.