Brasileiros exigem planos climáticos, mas programas de candidatos são frágeis
Pesquisa Ipsos mostra 91% querem propostas sobre clima; revisão do Observatório do Clima aponta ausência de metas mensuráveis e medidas sobre El Niño
Pesquisa Ipsos publicada na quinta-feira (17 de setembro) revelou que 91% de 1.800 brasileiros querem que os candidatos à Presidência apresentem planos sobre mudanças climáticas, e 87% afirmam que a mudança do clima já causa secas, chuvas fortes ou ondas de calor.
A sondagem online foi realizada de 17 a 20 de agosto com um formulário de 32 perguntas e mostrou amplo apoio a ações do governo: 90% disseram que a política pública deve focar na proteção ambiental e 67% apontaram as empresas como as principais responsáveis.
Uma revisão do Observatório do Clima dos principais programas de campanha classificou a maioria como vaga ou fraca em políticas climáticas, destacou o programa de Lula como o mais detalhado e afirmou que o programa de Flávio Bolsonaro não reconhece uma emergência climática.
O Observatório não encontrou nenhum programa de candidato que trate especificamente do El Niño, o aquecimento do Pacífico que previsões indicam poder ser forte até o início de 2027 e que aumenta os riscos de calor, seca e cheias intensas no Brasil.
A lacuna entre a forte demanda dos eleitores e os programas fracos dos candidatos importa para a segurança pública e os meios de vida, porque metas claras, medidas de adaptação e regras setoriais determinam a velocidade com que governos e empresas reduzem riscos e protegem comunidades.