Brasil nega que tenha falhado no combate ao PCC e ao CV, diz governo após determinação dos EUA
Casa Branca classificou as facções como ameaça à segurança global e autorizou medidas financeiras e de inteligência; Ministério da Justiça rejeita crítica e aguarda resposta a proposta de cooperação
A Casa Branca enviou ao Congresso em 15 de setembro uma determinação presidencial afirmando que o governo brasileiro "falhou em confrontar" o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e pedindo medidas enérgicas contra os grupos.
Os Estados Unidos já designaram PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, medida que permite às autoridades americanas congelar ativos, bloquear acesso financeiro, impor sanções, restringir viagens de associados e ampliar o uso de inteligência contra as redes.
O Ministério da Justiça do Brasil rejeitou formalmente a crítica dos EUA, ressaltando que o país não foi incluído na lista formal de nações que "não cumpriram compromissos", citando a Lei Antifacção de 2026 e operações nacionais, e afirmou que aguarda resposta americana a uma proposta de cooperação entregue em maio.
A disputa tem peso político: o senador Flávio Bolsonaro pressionou por ação dos EUA em maio, políticos de oposição apoiaram a designação, e o desentendimento aumenta a tensão antes do encontro entre Lula e Trump na Assembleia-Geral da ONU em 22 de setembro.
Há de se observar possíveis desdobramentos concretos, já que a determinação dos EUA pode desencadear medidas financeiras e migratórias contra pessoas e empresas ligadas às facções e levar a cooperação operacional ou de inteligência mais estreita, o que o Brasil diz poder afetar sua soberania.