Bolsonaro pede que presidente do STF declare suspeição de Flávio Dino
Petição quer suspensão liminar de todos os processos de Dino ligados a Lula, à eleição de 2026 ou a Flávio Bolsonaro e pode agravar crise sobre decisões monocráticas e imparcialidade da Corte
Advogados do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro protocolaram a petição ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, na quarta‑feira, 30 de setembro, pedindo que o ministro Flávio Dino seja declarado suspeito para casos que envolvam Lula, a eleição e Bolsonaro.
A peça cita sinais públicos de proximidade pessoal e política, incluindo uma ligação telefônica de Lula a Dino transmitida na TV durante um evento do governo em 28 de setembro, e observa que Dino foi indicado ao STF por Lula após ter sido senador.
Como medida de urgência, a defesa solicitou a Fachin uma liminar para suspender a tramitação de todos os processos de sua relatoria sobre esses temas até que o tribunal decida sobre a arguição de suspeição — medida que, se concedida, pararia investigações e ações judiciais.
O pedido insere‑se em um confronto institucional mais amplo sobre o crescente uso de decisões monocráticas, evidenciado por Dino ter reformado uma decisão eleitoral de André Mendonça e por Luiz Fux ter suspenso o ato de Dino, além de tensões relacionadas às mensagens e vazamentos do Master/Vorcaro.
Fachin ainda não se manifestou, e a petição levanta questões práticas e políticas: a decisão pode alterar o relator de casos de grande repercussão, afetar a confiança pública na Corte às vésperas da eleição e intensificar pedidos por limites mais claros às atribuições de relatores em decisões monocráticas.