BC sinaliza medidas macroprudenciais para frear avanço de crédito pessoal de alto custo
Presidente Gabriel Galípolo diz que crescimento do crédito sem garantia e caro, impulsionado pelo Pix, exige passos graduais para ajustar capital e provisões dos bancos ao risco real.
No evento Febraban Tech, na segunda‑feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o endividamento das famílias segue elevado e que o recente crescimento do crédito teve como motor principal operações sem garantia e de alto custo usadas para consumo do dia a dia.
O BC apresentou dados sobre a rápida expansão de produtos específicos: empréstimos consignados privados subiram de R$41 bilhões para R$102 bilhões desde março de 2025, com inadimplência passando de 5% para 6,7% e taxas de risco por faixa subindo para 57%.
O crédito pessoal não consignado atingiu cerca de R$400 bilhões em maio de 2026, dos quais aproximadamente R$275 bilhões são sem garantia. O endividamento por cartão cresceu após o aparecimento de 37 milhões de novos usuários de cartão entre 2020 e 2024, com taxas médias mensais de cartão perto de 15,1%.
Galípolo disse que o BC estuda e prepara opções macroprudenciais e regulatórias para alinhar melhor o risco nas carteiras dos credores com seu capital e provisões para perdas. As mudanças seriam implementadas de forma gradual e acompanharão reforço da avaliação de adequação ao cliente, mecanismos antifraude e do Fundo Garantidor de Depósitos.
Se adotadas, as medidas podem desacelerar o crescimento do crédito de alto custo e levar instituições a apertarem critérios de concessão ou a manterem mais capital, o que afetaria o acesso a alguns empréstimos ao consumidor e provavelmente mudaria a forma como famílias de baixa renda usam cartões e crédito de curto prazo.