Aposta da Broadcom em IA eleva receita prevista, mas traz dúvidas sobre margem e financiamento
Empresa projeta cerca de US$16 bilhões em receita de IA no 3º trimestre e mira US$100 bilhões em 2027, mas lucros por ASICs personalizados e exposição a veículo de leasing preocupam analistas.
A Broadcom reportou no início de junho um trimestre de IA recorde, com US$10,8 bilhões em vendas de semicondutores para IA. A companhia orientou receita de IA para o 3º trimestre em cerca de US$16 bilhões, manteve a meta para o ano fiscal de 2026 perto de US$56 bilhões e fixou um objetivo de aproximadamente US$100 bilhões para 2027.
A estratégia da empresa combina ASICs personalizados para IA — co‑desenvolvidos com grandes provedores de nuvem — e switches Ethernet de alta velocidade, numa oferta integrada que tende a fidelizar clientes à infraestrutura da Broadcom. A empresa afirmou que os contratos (bookings) já superaram US$30 bilhões, dando visibilidade de implantações até 2028.
Executivos e analistas alertam, porém, que o negócio de ASICs personalizados, embora seja o que mais cresce, tem margens brutas menores. À medida que essa fatia da receita aumentar, pode pressionar as margens consolidadas da Broadcom.
A companhia também revelou até US$29 bilhões de exposição potencial ligada a um arranjo inicial de financiamento de IA que garante contratos de leasing para clientes. O Bank of America modelou que, na teoria, esse veículo de financiamento poderia assumir dívida sênior muito maior à medida que escala. Isso levanta dúvidas sobre passivos contingentes.
As ações caíram mais de 5% na última sexta‑feira e passaram a negociar abaixo das máximas recentes. Ainda assim, a maioria das casas em Wall Street mantém recomendação Moderate Buy (compra moderada) e uma expectativa média de preço-alvo perto de US$493. Investidores aguardam o balanço de 2 de setembro para ter mais clareza sobre receita, margens e detalhes do financiamento.