Relatório do Cimi aponta 258 indígenas assassinados em 2025, alta de 22%
Entidades apontam avanço do marco temporal, demarcações lentas e garimpo ilegal como causas; governo cita desintrusões e homologações desde 2023
O relatório anual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado na quinta-feira, registrou 258 indígenas assassinados em 2025 — um aumento de 22% em relação a 2024. O levantamento também contabilizou 1.024 óbitos de crianças de até quatro anos e 215 suicídios.
Segundo o Cimi, a insegurança territorial cresceu: foram mapeadas 1.443 terras e reivindicações indígenas, das quais 897 têm medidas administrativas pendentes e 582 não registraram passos iniciais de demarcação. O relatório registrou 169 conflitos por direitos territoriais e 1.276 casos de violência contra bens indígenas.
A equipe Eapil do Cimi listou 119 registros de povos em isolamento, mas observou que apenas uma minoria desses casos é confirmada pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Na prática, isso deixa muitos grupos isolados sem proteção estatal formal contra invasões e doenças.
O Cimi relaciona a maioria das mortes de crianças a causas evitáveis, como gripe, pneumonia e infecções intestinais, e aponta que os suicídios se concentram entre jovens — sinais de falhas em saúde, saneamento e serviços sociais, além do risco de novas remoções e episódios de violência.
O governo federal, em nota, destacou avanços em demarcações e operações de retirada — desde 2023 informou 20 terras indígenas homologadas e 12 processos de desintrusão. Lideranças indígenas e pesquisadores, porém, consideram essas medidas insuficientes diante da escalada da violência.