Relatório aponta cenário em que ação ligada à IA derruba S&P 500 em 30%
Juros mais altos, grande endividamento de gigantes de tecnologia e avaliações esticadas tornam mais plausível uma correção acentuada das ações ligadas à IA.
A consultoria Capital Economics publicou em 19 de setembro uma nota com um cenário em que um colapso impulsionado por expectativas em torno da inteligência artificial provocaria uma queda de pelo menos 30% do pico ao fundo no S&P 500, deixando o índice perto de 6.500 no final de 2027.
A empresa ressaltou que se trata de um cenário, não de uma previsão, e disse que o mercado dos Estados Unidos seria o epicentro, com perdas menores no exterior porque outros mercados são menos concentrados em grandes empresas de tecnologia expostas à IA.
Analistas apontam o recente aperto do Federal Reserve como um gatilho plausível: juros mais altos podem forçar vendas ao elevar o custo de financiamento de companhias fortemente alavancadas e dificultar a justificativa de avaliações especulativas.
Grandes empresas de tecnologia conhecidas como 'hyperscalers' emitiram cerca de US$220 bilhões em dívida no último ano para financiar projetos de IA. Isso aumenta a sensibilidade dessas companhias a altas de juros e pode amplificar o estresse no mercado se o sentimento virar.
As avaliações são citadas como extremas — o CAPE (price/earnings cyclically adjusted) perto de 41 — levando a comparações com a bolha das pontocom e a alertas de investidores como Ray Dalio; em caso de um colapso severo, o Nasdaq/QQQ poderia levar muitos anos para se recuperar, enquanto os rendimentos dos títulos e o dólar poderiam mover-se apenas modestamente.