Putin promete trigo, remédios e ampliar laços no terceiro cume Rússia‑África
Encontro em Moscou mostra esforço russo para se apresentar como alternativa ao Ocidente, entre segurança reforçada e limites econômicos por causa da guerra e das sanções
No terceiro Cume Rússia‑África em Moscou, delegações de 48 países africanos — entre elas 22 chefes de Estado — ouviram o presidente Vladimir Putin negar que a Rússia pratique exploração neocolonial e oferecer conversas bilaterais com líderes.
O Kremlin se comprometeu a ampliar remessas agrícolas ao continente e a localizar a produção de medicamentos russos, afirmando que a Rússia forneceu cerca de 13 milhões de toneladas métricas de produtos agrícolas à África nos primeiros nove meses do ano.
A cooperação em segurança dominou as discussões. Unidades paramilitares e grupos vinculados ao Estado russo atuam em países como o Mali para proteger líderes e combater insurgentes; Human Rights Watch e outras organizações acusam essas forças de matar civis e torturar detidos.
Especialistas dizem que a capacidade de Moscou de cumprir promessas econômicas mais amplas é limitada pela guerra na Ucrânia, por sanções ocidentais e por restrições orçamentárias. O comércio Rússia‑África é modesto: cerca de US$28 bilhões em 2025, ante US$348 bilhões da China.
Grupos de direitos humanos e investigadores relatam que milhares de africanos foram recrutados para lutar pela Rússia na Ucrânia, com estimativas de 3.000 a 4.000 combatentes e centenas de mortes documentadas. A crise motivou apelos públicos aos participantes do cume e aumenta o desconforto diplomático.