Primeiros relógios nucleares operacionais são construídos em Viena e Pequim
Protótipos usam tório-229 em cristais e lasers ultravioleta; um alcançou precisão de ~10⁻15, o outro teve estabilidade de curto prazo seis vezes melhor
Pesquisadores publicaram dois artigos na Nature em 7 de outubro de 2026 relatando protótipos independentes de relógios nucleares, um em Viena (TU Wien/PTB) e outro em Pequim (Tsinghua).
Ambos os dispositivos utilizam o isótopo raro tório-229 incorporado em cristais de fluoreto de cálcio e são acionados por lasers ultravioleta de largura de linha estreita que travam a frequência do laser em uma transição nuclear em torno de 148 nm.
O protótipo Viena/PTB demonstrou uma precisão próxima de 10⁻15 (aproximadamente um segundo a cada 30 milhões de anos) e foi empregado em uma busca inicial por matéria escura escalar ultraleve; a busca estabeleceu limites, sem detectar sinal.
O protótipo Tsinghua/Pequim mostrou, em testes iniciais, estabilidade de curto prazo cerca de seis vezes melhor, mas nenhum dos relógios supera ainda os melhores relógios atômicos ópticos.
Permanecem desafios técnicos importantes: as larguras de ressonância nuclear observadas estão em torno de 30 kHz, muito acima da largura natural esperada, inferior a 1 Hz; o fornecimento de tório-229 é escasso; e as equipes planejam melhorias na qualidade dos cristais, maior potência dos lasers UV e designs alternativos com íons aprisionados para melhorar a exatidão.