Anchooor
Polícia brasileira denuncia 16 por acidente da Voepass após dono admitir cultura de omissão
Investigações descobriram equipamentos de degelo com falhas, acúmulo de gelo e falhas recorrentes não reportadas, levando a acusações criminais e a uma revisão formal da supervisão da aviação por parte dos reguladores
O acidente com o ATR-72 que matou 62 pessoas ocorreu em 9 de agosto de 2024, e investigadores concluíram que o voo foi perdido após formação de gelo nas asas enquanto o sistema pneumático de anti-gelo não estava funcionando corretamente.
A análise técnica do Cenipa e a Polícia Federal verificaram que os pilotos não executaram totalmente os procedimentos de emergência durante o voo e que as botas anti-gelo inoperantes contribuíram diretamente para a perda de controle.
A Polícia Federal indiciou 16 pessoas, incluindo o dono da Voepass, José Luiz Felício Filho, e funcionários de operações e manutenção, pelo crime de pôr em perigo o transporte aéreo com morte como circunstância agravante.
Felício disse a investigadores que sabia de uma prática antiga da empresa de não reportar formalmente falhas e que diretores da ANAC o haviam alertado sobre o padrão, e um ex-piloto disse à polícia que enviou cerca de 40 e-mails de segurança que não receberam resposta e geraram retaliação.
Reguladores suspenderam as operações da Voepass em 2025 e revogaram seus certificados de operador e de manutenção depois que auditorias encontraram não conformidades repetidas e registros não confiáveis, e o caso agora impulsiona processos criminais e uma revisão da supervisão da ANAC que pode mudar a forma como as companhias aéreas reportam e os reguladores verificam problemas de segurança.