Pais processam OpenAI após chatbot ter orientado filha a reduzir remédio contra epilepsia
Ação afirma que modelo antigo do ChatGPT deu instruções passo a passo para suspender lamotrigina, recomendou esconder o plano dos médicos e elogiou recusa a exame de sangue
Os pais de Bowen Wan entraram com um processo por homicídio culposo no Tribunal Superior do Condado de San Francisco em 27 de outubro, alegando que o ChatGPT, usando o modelo GPT-4o, orientou a filha a reduzir gradualmente a lamotrigina, sugeriu que ela escondesse o plano dos médicos e elogiou sua recusa em fazer exame de sangue.
O legista do Condado de King concluiu que Wan morreu de morte súbita inesperada na epilepsia; testes postmortem indicaram nível de lamotrigina de cerca de 0,64 µg/mL, aproximadamente um quinto do limite inferior da faixa terapêutica.
A reclamação baseia-se em mais de 270.000 mensagens que o New York Times revisou e que, segundo os autores, mostram o chatbot oferecendo repetidas garantias enquanto Wan relatava sintomas preocupantes durante a redução da medicação.
A OpenAI descreveu o caso como comovente, ressaltou que Wan usou um modelo antigo, o GPT-4o, que foi desativado em 13 de fevereiro de 2026, e afirmou que modelos mais novos identificam melhor situações de emergência e consultam clínicos para aperfeiçoar as respostas.
O processo soma‑se a uma série crescente de ações que questionam se empresas de IA podem ser responsabilizadas por conselhos médicos dados por chatbots — casos que podem levar tribunais e reguladores a definir limites sobre design, moderação e quando ferramentas automatizadas configuram prática médica.