IA escolheu vetor e conduziu injeção cerebral em camundongo em experimento supervisionado
Agente de IA comandou uma plataforma estereotáxica motorizada para injetar 250 nanolitros após selecionar vetor e coordenadas; humanos fizeram a craniotomia e vigiaram cada etapa irreversível
Pesquisadores da Exin Therapeutics ligaram um agente de IA a um equipamento estereotáxico motorizado e o receberam com um modelo murino de epilepsia e uma planilha com 19 vetores de terapia gênica. O agente escolheu um dos vetores, extraiu coordenadas‑alvo a partir de artigos científicos e conduziu a plataforma para injetar 250 nanolitros.
O procedimento foi apenas parcialmente autônomo: um cirurgião humano fez a craniotomia, e um veterinário licenciado supervisionou todas as etapas irreversíveis e manteve um botão físico de emergência capaz de cortar a energia se necessário.
Durante a execução, a IA identificou um erro de calibração — a coordenada calculada no eixo Y estava fora da faixa segura do equipamento — e recusou prosseguir até que a equipe corrigisse manualmente a configuração. Os autores citam esse episódio como exemplo de verificações de segurança integradas e de como o sistema age em condições de falha.
Testes com modelos diferentes mostraram comportamentos distintos: variantes do Opus, da Anthropic, recusaram ou limitaram a ação em laboratório, e o Sonnet avançou com o procedimento. Os pesquisadores destacam que a escolha do modelo e as barreiras (guardrails) alteram como agentes de IA lidam com tarefas biológicas de risco.
Não há ainda dados independentes e revisados por pares que indiquem se a injeção reduziu as crises epilépticas. Cientistas consultados dizem que são necessárias replicação, medidas de desfecho controladas e revisão formal antes de qualquer afirmação terapêutica.