IA do Mass General Brigham prevê sobrevida de pacientes com câncer a partir de uma foto do rosto
Estudo publicado em 19/10/2026 na Lancet Digital Health diz que pontuações de “idade biológica” e risco de morte melhoram modelos prognósticos, mas exigem validação maior e salvaguardas éticas
Pesquisadores do sistema de saúde norte-americano Mass General Brigham publicaram em 19 de outubro de 2026 um estudo na Lancet Digital Health que descreve um modelo de IA capaz de estimar idade biológica e prever probabilidade de morte por câncer a partir de uma única foto do rosto.
O modelo base, chamado FAHR-Face, foi treinado com mais de 40 milhões de imagens faciais e gerou duas ferramentas: FAHR-FaceAge, para estimar idade biológica aparente, e FAHR-FaceSurvival, para estimar risco de morte.
Em validação clínica as ferramentas mostraram sinal mensurável. Em um teste com 3.820 pacientes, 64 das 122 pessoas com a maior pontuação de risco de sobrevivência morreram dentro de 90 dias. Em uma coorte separada de cerca de 38.000 pacientes, a mortalidade foi maior entre quem aparentava ser mais velho do que a idade cronológica.
Os autores afirmam que os modelos são robustos a variações comuns nas fotos e à maioria das alterações provocadas por cirurgia plástica. Mapas de atenção indicam que regiões faciais diferentes informam as previsões de idade e de sobrevida. Além disso, tabagismo, uso intenso de álcool e uso de drogas se correlacionaram com aparência de maior idade biológica.
O Mass General Brigham entrou com um pedido de patente provisório nos EUA e abriu um estudo público FaceAge aprovado por um comitê de ética (IRB) para ampliar dados mais diversos. Clínicos e especialistas em ética ouvidos pelos autores dizem que as ferramentas precisam de testes mais amplos, governança e salvaguardas claras para evitar danos clínicos ou uso indevido por seguradoras ou empregadores.
Os resultados mostram potencial para apoiar decisões clínicas personalizadas, mas os autores e comentaristas alertam que evidências adicionais em populações diversas e regras sobre privacidade, consentimento e uso são necessárias antes de qualquer aplicação em rotina clínica.