Guardas municipais tornam‑se a segunda maior força de segurança do Brasil
A rápida expansão superou a fiscalização, com discrepâncias salariais marcantes entre estados e cerca de R$230 bilhões em folha salarial anual pressionando os orçamentos públicos.
O segundo Raio‑X do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicado na terça‑feira, relata que o número de guardas municipais subiu 12,9% de 2023 para 2025, para 107.457 agentes, e agora supera o de Polícias Civis.
O estudo aponta grandes lacunas de governança em muitas forças municipais, incluindo ausência de códigos de conduta, corregedorias ou ouvidorias em muitos corpos e 44 municípios que excedem os limites legais de efetivo.
Os corpos policiais estaduais estão com recursos aquém das metas legais, com as Polícias Militares cerca de 34% abaixo de seu efetivo previsto e as Polícias Civis cerca de 45% aquém do número de agentes esperado.
O peso fiscal das folhas de pagamento da segurança atingiu cerca de R$230 bilhões em 2025, com 424.415 aposentados respondendo por uma parcela desproporcional dos custos e deixando menos espaço para contratação ou treinamento de policiais ativos.
Movimentos legais e políticos em curso, incluindo a PEC 18/2025 e os debates sobre a SUSP, além de recentes permissões do STF para atribuições de policiamento municipal, aumentam o risco de que a ampliação das funções das guardas seja formalizada antes que supervisão uniforme, integração e sistemas de dados estejam implementados.