EUA comunicam Congresso sobre venda de US$24,3 bilhões em F-35 para a Arábia Saudita
Notificação abre revisão de 30 dias no Congresso para avaliar salvaguardas diante de alertas de inteligência sobre acesso chinês e objeções de Israel.
O Departamento de Estado dos EUA informou na quinta-feira ao Congresso sobre uma proposta de Venda Militar Estrangeira (Foreign Military Sale) de US$24,3 bilhões que incluiria 48 caças F-35A, 49 motores Pratt & Whitney e amplo apoio em comunicações, treinamento e sustentação, acionando um período legal de revisão de 30 dias.
Relatórios de inteligência dos EUA e uma avaliação da Defense Intelligence Agency apontaram riscos de que o acesso chinês a bases sauditas e o uso pela Arábia Saudita de equipamentos de telecomunicações chineses possam criar vias para que tecnologia sensível do F-35 seja exposta a Pequim.
Autoridades israelenses apresentaram objeções com base na preservação da superioridade militar qualitativa de Israel. A notificação do Departamento de Estado afirma que a venda “não alterará o equilíbrio militar”, embora o pacote não liste armas específicas ar-ar ou ar-terra nem um cronograma de entrega.
A notificação não é um contrato assinado, e as entregas levariam anos devido a gargalos de produção, treinamento extensivo de pilotos e mantenedores, e necessidades classificadas de sustentação. Durante a janela de 30 dias, o Congresso pode apresentar uma resolução conjunta para bloquear a venda.
A iniciativa ocorre após aumento das demandas operacionais sauditas em razão da expansão dos combates na região e ataques dos houthis, e pode reconfigurar a interoperabilidade do Golfo com os EUA, ao mesmo tempo em que provocaria salvaguardas americanas mais rígidas, possíveis condições sobre o uso de bases e telecomunicações, e forte escrutínio do Congresso.