EUA chegam a acordo parcial para acessar 90 bilhões de barris em campos venezuelanos
Negócio prevê participações ou arrendamentos de longo prazo; objetivo é reforçar estoques dos EUA diante de oferta global apertada, mas aumento de produção será gradual
Negociadores dos Estados Unidos e da Venezuela, liderados pelo secretário de Estado Marco Rubio e pela presidente interina Delcy Rodríguez, avançaram nas conversas na quinta-feira sobre a compra de participações ou arrendamentos de longo prazo em mais de uma dúzia de campos que somam cerca de 90 bilhões de barris de petróleo comprovado.
A pressa por um acordo decorre do fato de que a Strategic Petroleum Reserve (reserva estratégica de petróleo dos EUA) está em seu nível mais baixo em cerca de 40 anos, segundo fontes, e das perturbações de oferta provocadas por conflitos no Oriente Médio e na Europa.
Analistas e auditorias alertam que transformar essas reservas em aumento significativo de produção levará anos, porque refinarias, oleodutos, rede elétrica e equipamentos da Venezuela foram deixados degradados e precisam de injeções de capital muito grandes — que alguns estimam em até cerca de US$180 bilhões ao longo de uma década.
Empresas de serviços independentes dos EUA e produtores menores já estão assinando acordos limitados com a PDVSA — por exemplo, a SLB para ferramentas de perfuração com IA e a Hunt Oil para acordos de produção — o que indica que a recuperação inicial dependerá mais de independentes do que das grandes petroleiras globais.
As negociações também abordam temas sensíveis, como controles de receita, possíveis ações venezuelanas sobre a filiação à OPEP, arrendamentos legais de longa duração e prováveis desafios no Congresso e constitucionais em ambos os países. Por isso, qualquer aumento material nas importações dos EUA será gradual, e não imediato.