Em busca da virada, campanha de Lula aposta em vídeos em selfie
Clipes curtos gravados no celular somaram dezenas de milhões de visualizações, mas problemas de busca e a maior rede de WhatsApp de Bolsonaro podem limitar o impacto sobre os 2,23 milhões de votos que Lula precisa fechar
A campanha começou a publicar vídeos em formato selfie no celular na quarta-feira, 7 de outubro, e os primeiros dez clipes totalizaram rapidamente cerca de 66 milhões de visualizações, com um dos primeiros posts chegando a aproximadamente 15 milhões de visualizações.
A mudança de Lula contrasta com comentários feitos por ele há um ano, quando chamou o uso excessivo do celular de “doença”; a campanha diz que a iniciativa foi motivada pela necessidade de reverter o resultado do primeiro turno.
Repórteres e testes de usuário identificaram problemas de busca e de distribuição que tornam mais difíceis de achar perfis oficiais de Lula e de outras correntes de esquerda nas grandes plataformas, o que reduz o alcance orgânico dessas postagens.
A campanha de Flávio Bolsonaro mantém uma infraestrutura digital mais forte, incluindo um estimado 1,7 milhão de contatos no WhatsApp e uma rede de parlamentares aliados que atuam como multiplicadores do conteúdo.
Analistas alertam que altos números de visualizações não se convertem automaticamente em votos e disseram que serão necessárias novas pesquisas publicadas após o primeiro turno, em 8 de outubro, para avaliar se a guinada digital alterou a intenção de voto.