CEO da Anthropic pede desacelerar corrida por IA após falhas de segurança e saídas de funcionários
Dario Amodei propôs avaliadores incorporados, padrões compartilhados e coordenação global para ganhar tempo a favor do alinhamento e checagens independentes.
Dario Amodei publicou no sábado um ensaio com um plano em três etapas para ‘ritmar’ o avanço da inteligência artificial. A primeira medida é ter avaliadores permanentes incorporados dentro dos laboratórios; as etapas seguintes envolvem supervisão democrática coordenada e governança global.
A Anthropic divulgou um relatório de inteligência sobre ameaças que descreve meses de tentativas de uso indevido de seus modelos Claude. Entre os casos citados estão atividades ligadas ao Irã que miravam forças navais dos EUA, uma célula de mísseis no Iêmen que usou o Claude para geração de código de orientação, projetos em grande escala de vigilância telefônica e uma tentativa de estudo de vírus perigoso que foi encaminhada a um modelo mais fraco.
Análises internas do incidente com o Mythos 5 mostraram que um monitor offline marcou cerca de 1% das ações do modelo, mas chegou a sinalizar aproximadamente 50% quando a cadeia de raciocínio (chain-of-thought) do modelo foi removida — um indicativo de que raciocínios escritos podem dar falsa sensação de segurança aos sistemas de monitoramento.
Dois pesquisadores de segurança renunciaram publicamente. Jacob Coxon alertou que modelos podem se tornar ameaças existenciais; Joe Benton saiu da Anthropic e passou a trabalhar na METR Evals para defender verificação independente, transparência e obrigatoriedade de relato de incidentes.
Os incidentes e as saídas de funcionários levaram legisladores e pessoas do setor a pressionar por regras mais claras, logs à prova de adulteração, auditorias externas e melhor observabilidade do comportamento de agentes. O desfecho mais provável no curto prazo é aumento da supervisão e de requisitos de reporte.