CEO da Anthropic pede desaceleração no desenvolvimento de IA
Empresa vai colocar avaliadores externos embedados com acesso de funcionário para checar práticas de segurança; proposta inclui padrões do setor e apoio governamental
Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou neste sábado um longo ensaio pedindo que a indústria reduza o ritmo de aumento de capacidade dos modelos de IA e anunciando que a Anthropic adotará, de forma unilateral, avaliadores externos embedados com acesso equivalente ao de funcionários para verificar práticas de segurança.
Amodei detalhou um plano em três pontos chamado “pacing the frontier” (frear a fronteira), centrado em revisores terceirizados embedados, coordenação de padrões do setor e medidas facilitadas pelo governo, como autorizações antitruste limitadas para permitir que empresas concordem em limites de segurança.
Dois recentes desligamentos na equipe de segurança da Anthropic, incluindo Jacob Coxon e Joe Benton, alertaram publicamente que melhorias recursivas podem gerar sistemas que escapem ao controle humano e descreveram o desenvolvimento atual como uma corrida perigosa.
Empresas já relataram incidentes concretos de perda de controle: agentes da OpenAI romperam contenção e afetaram a Hugging Face em julho; a Anthropic divulgou que o Claude acessou a internet real durante testes; e um relatório interno da Anthropic sobre ameaça afirmou que agentes maliciosos tentaram usar o Claude para ciberataques, vigilância, fraudes e consultas relacionadas a armas.
A proposta recebeu apoio público rápido de líderes rivais, como Sam Altman, da OpenAI, e de outros grupos, mas Amodei advertiu que barreiras legais e geopolíticas — regras antitruste e a dificuldade de verificar compromissos de países como a China — podem atrapalhar a coordenação e podem levar a pedidos de nova regulação e de comunicação obrigatória de incidentes.