Aposta em IA faz ações da Intel dispararem 144% no ano, mas perdas na foundry e encargo do CHIPS preocupam
Vendas de data center e melhor rendimento do processo 18A impulsionaram receita; negócio de foundry segue no vermelho e um encargo não caixa de US$12,53 bilhões afetou o resultado GAAP.
As ações da Intel subiram 144% no ano até segunda-feira, após a empresa divulgar receita do segundo trimestre de US$16,13 bilhões, alta de 25,2% ante o mesmo período do ano passado. O crescimento foi puxado por um aumento de 59% nas vendas para data centers — o que, segundo executivos, é o ritmo de crescimento mais forte em mais de 15 anos.
A Intel informou que os rendimentos (yields) do processo 18A estão cerca de 25% acima das metas de março e que o Xeon 6 está em rápida ramp-up, sinais de que a execução em nós avançados está melhorando e ajudando a empresa a atender a demanda por IA. A empresa também citou 26 projetos ou clientes estratégicos ligados a essas iniciativas.
Por outro lado, o negócio de foundry externo continua gerando prejuízo operacional: registrou uma perda operacional de aproximadamente US$2,1 bilhões no 2º trimestre, com receita de foundry externa em torno de US$293 milhões. Além disso, um encargo não caixa relacionado ao CHIPS Act de US$12,53 bilhões empurrou o lucro segundo regras GAAP para uma grande perda “no papel”.
O CEO Lip‑Bu Tan comprou cerca de US$10 milhões em ações da Intel em agosto. Analistas vêm elevando estimativas de lucro por ação (EPS) para o exercício fiscal 2026 nas últimas semanas, mas o consenso de mercado segue cauteloso: a recomendação média é Hold, com preço-alvo próximo de US$107 e avaliações mistas.
Investidores devem acompanhar métricas objetivas de rendimento, evidências de contratos escaláveis com clientes externos de foundry e manutenção do crescimento de volumes em data centers. Esses fatores vão determinar se a valorização impulsionada pelo otimismo com IA e pelo recente financiamento se sustenta.